Método Científico

No fundo, fazer ciência é como montar quebra-cabeças

Escopo e objetivo

Fazer ciência não é fácil. Logo, aprender a produzir conhecimento por osmose, como se espera em muitos lugares, não é uma boa ideia. Por isso, este curso visa dar aos alunos uma base no método científico contemporâneo, focando na aplicação de conceitos da filosofia da ciência à prática da pesquisa.

Público-alvo

Alunos e profissionais de qualquer nível acadêmico, que tenham interesse em desenvolver projetos de pesquisa científica.

Estratégia pedagógica

Este curso é baseado em aprendizado ativo, tendo como pilares:

  1. Aprendizado orientado por projetos;
  2. Aprendizado com os pares;
  3. Classe invertida.

Agradecimentos

Este curso começou como módulos dados dentro do curso de campo Ecologia da Floresta Amazônica, tendo depois evoluído para um curso solo. Agradeço especialmente Elisabeth Kalko, Paulo Peixoto e Glauco Machado pela oportunidade de começar a ministrar esse curso e pelas discussões sobre vida acadêmica, método científico e filosofia da ciência.

Onde fazer o curso

Este curso é oferecido como disciplina do PPG-ECMVS/UFMG sempre no primeiro semestre de cada ano. A próxima edição será realizada de 12 a 19/03/2018 na UFMG, em Belo Horizonte, MG.

Como concorrer a uma vaga

Serão oferecidas ao todo 15 vagas no curso, considerando alunos internos e externos ao PPG-ECMVS/UFMG. A UFMG não permite mais a presença de ouvintes em sala. Logo, os alunos selecionados terão que se matricular regularmente dentro do prazo, seguindo o protocolo.

Alunos internos ingressantes de mestrado e doutorado têm preferência. Contudo, algumas vagas serão reservadas para alunos de outros níveis e alunos externos.

Para se candidatar a uma vaga, siga estes passos:

  1. Escreva uma carta de intenções, na qual você explique por que deseja fazer o curso e merece uma vaga;
  2. Peça a um colega senior uma carta de recomendação, na qual ele explique por que fazer o curso seria importante para você e por que você merece uma vaga. Alunos internos do PPG-ECMVS/UFMG não precisam desta carta;
  3. Preencha o formulário online e, através dele mesmo, faça upload das duas cartas em formato PDF. O prazo para se candidatar a uma vaga é 05/02/18;

Após esse prazo, será divulgada aqui neste site a lista de alunos selecionados. Os alunos internos do PPG-ECMVS/UFMG devem fazer a pré-matrícula regularmente, dentro do prazo normal da UFMG; aqueles que não forem selecionados poderão se desmatricular depois.

Dos alunos externos é cobrada uma taxa pela UFMG, que permite cursar esta e qualquer outra disciplina da UFMG no mesmo semestre. Caso você seja selecionado(a), Informe-se junto à secretaria sobre o valor e as condições de pagamento. As instruções de matrícula isolada para os alunos externos à UFMG estão disponíveis no site do programa.

​Conselhos acadêmicos

Além dos materiais aqui recomendados, escrevo um blog com dicas sobre ciência e vida acadêmica, incluindo guias práticos sobre como elaborar projetos, escrever artigos, dar palestras e escolher revistas para submeter artigos, entre outros temas. Há também um livro derivado do blog disponível como ebook.

Material do curso

Peça ao professor o link para a dropbox do curso.

Opinião dos alunos

Ao final do curso, por favor preencha o formulário de satisfação, para que possamos melhorar as próximas edições. Peça o link ao professor.

Programa

As aulas são dadas das 9:00 às 17:00, com pausa das 12:00 às 14:00, em seis dias, na sala I3-236 do ICB/UFMG.

Dia 12/3

  • Apresentação do curso
  • Teórica 1: método científico
  • Teórica 2: lógica
  • Prática 1: perguntas, hipóteses e previsões

Dia 13/3

  • Teórica 3: retórica e falácias
  • Prática 2: dissecção de argumentos

Dia 14/3

  • Teórica 4: filosofia da ecologia
  • Prática 3: dissecção de hipóteses

Dia 15/3

  • Teórica 5: mapas mentais
  • Prática 4: mapas mentais

Dia 16/3

  • Teórica 6: a jornada do cientista
  • Consultório

Dia 19/3

  • Workshop de mapas mentais

Avaliação e relatórios​

Veja em outra página as instruções para os relatórios, assim como os critérios de avaliação do curso.

Leituras prévias obrigatórias

Antes do primeiro dia do curso, todos os alunos devem ter lido os seguintes textos:

  1. Belovsky, G.E., Botkin, D.B., Crowl, T.A., Cummins, K.W., Franklin, J.F., Hunter, M.L., Joern, A., Lindenmayer, D.B., MacMahon, J.A., Margules, C.R. & Scott, J.M. (2004) Ten suggestions to strengthen the science of ecology. BioScience, 54, 345–351.
  2. Chamberlin, T.C. (1890) The method of multiple working hypotheses. Science, 15, 92–96.
  3. Ghilarov, A.M. (2001) The changing place of theory in 20th century ecology: from universal laws to array of methodologies. Oikos, 92, 357–362.
  4. Lawton, J.H. (1999) Are there general laws in ecology? Oikos, 84, 177.
  5. Lipton, P. (2005) Testing hypotheses: prediction and prejudice. Science, 307, 219–221.
  6. Marquet, P.A., Allen, A.P., Brown, J.H., Dunne, J.A., Enquist, B.J., Gillooly, J.F., Gowaty, P.A., Green, J.L., Harte, J., Hubbell, S.P., O’Dwyer, J., Okie, J.G., Ostling, A., Ritchie, M., Storch, D. & West, G.B. (2014) On theory in ecology. BioScience, 64, 701–710.
  7. Platt, J.R. (1964) Strong inference: certain systematic methods of scientific thinking may produce much more rapid progress than others. Science (New York, N.Y.), 146, 347–53.
  8. Schimel, D. & Keller, M. (2015) Big questions, big science: meeting the challenges of global ecology. Oecologia, 177, 925–34.
  9. Sutherland, W.J., Freckleton, R.P., Godfray, H.C.J., Beissinger, S.R., Benton, T., Cameron, D.D., Carmel, Y., Coomes, D.A., Coulson, T., Emmerson, M.C., Hails, R.S., Hays, G.C., Hodgson, D.J., Hutchings, M.J., Johnson, D., Jones, J.P.G., Keeling, M.J., Kokko, H., Kunin, W.E., Lambin, X., Lewis, O.T., Malhi, Y., Mieszkowska, N., Milner-Gulland, E.J., Norris, K., Phillimore, A.B., Purves, D.W., Reid, J.M., Reuman, D.C., Thompson, K., Travis, J.M.J., Turnbull, L.A., Wardle, D.A. & Wiegand, T. (2013) Identification of 100 fundamental ecological questions. Journal of Ecology, 101, 58–67.
  10. Thompson, J.N., Reichman, O.J., Morin, P.J., Polis, G.A., Power, M.E., Sterner, R.W., Couch, C.A., Gough, L., Holt, R., Hooper, D.U., Keesing, F., Lovell, C.R., Milne, B.T., Molles, M.C., Roberts, D.W. & Strauss, S.Y. (2001) Frontiers of ecology. BioScience, 51, 15–24.

Bibliografia de base

Estes livros compõem a base teórica do curso:

  1. Almossawi A. 2013. An illustrated book of bad arguments. Edição Online.
  2. Alves R. 2006. Filosofia da ciência – Introdução ao jogo e às suas regras. São Paulo: Edições Loyola. 223 p.
  3. Aristóteles. Retórica. Várias edições.
  4. Case TJ. 1999. An Illustrated Guide to Theoretical Ecology. Oxford University Press.
  5. Chalmers AF. 1999. What is this thing called science? University of Queensland Press, Queensland. 266 p.
  6. Dodds W. 2009. Laws, theories, and patterns in Ecology. University of California Press, Oakland. 256 p.
  7. Feyerabend P. 1993. Against method: Outline of an anarchistic theory of knowledge. New York: Verso.
  8. Ford ED. 2004. Scientific method for ecological research. Cambridge: Cambridge University Press.
  9. Joseph M. 2002. The trivium: the liberal arts of logic, grammar, and rhetoric. Philadelphia: Paul Dry Books.
  10. Keller DR, Golley FB. 2000. The philosophy of ecology: from science to synthesis. London: The University of Georgia Press.
  11. Kuhn TS. 1996. The structure of scientific revolutions. Chicago: The University of Chicago Press.
  12. Lakatos I. 1980. The methodology of scientific research programmes: volume 1: philosophical papers. Cambridge University Press, Cambridge. 260 p.
  13. Mello MAR. 2017. Sobrevivendo na ciência: um pequeno manual para a jornada do cientista. Belo Horizonte: Edição do autor. ISBN: 978-85-921757-1-9. Disponível pela Amazon para Kindle e também em versão impressa.
  14. Popper K. 2002. The logic of scientific discovery. London: Routledge.
  15. Volpato GL. 2013. Ciência: da filosofia à publicação. Botucatu: Best Writing. 245 p.