Método Científico

Escopo e objetivo

Fazer ciência não é fácil. Aprender o método científico por osmose, como se espera em muitos lugares, não é uma boa ideia. Por isso, este curso visa dar aos alunos uma base no método científico contemporâneo, focando na aplicação de conceitos da filosofia da ciência à prática da pesquisa.

Público-alvo

Alunos e profissionais de qualquer nível acadêmico, que tenham interesse em desenvolver projetos de pesquisa científica.

Estratégia pedagógica

Este curso é baseado em aprendizado ativo, tendo como pilares:

  1. Aprendizado orientado por projetos;
  2. Aprendizado com os pares;
  3. Classe invertida.

Agradecimentos

Este curso começou como módulos dados dentro do curso de campo EFA, tendo depois evoluído para um curso solo. Agradeço especialmente Elisabeth Kalko, Paulo Peixoto e  Glauco Machado pela oportunidade de começar a ministrar esse curso e pelas discussões sobre vida acadêmica, método científico e filosofia da ciência.

Onde fazer o curso

Este curso é oferecido como disciplina optativa do PPG-ECMVS/UFMG sempre no primeiro semestre de cada ano. A próxima edição será realizada de 06 a 13/03/17 na UFMG, em Belo Horizonte, MG.

Como concorrer a uma vaga

Serão oferecidas ao todo 15 vagas no curso, considerando alunos internos e externos ao PPG-ECMVS/UFMG. A UFMG não permite mais a presença de ouvintes em sala; logo, os alunos selecionados terão que se matricular regularmente dentro do prazo, seguindo o protocolo.

Alunos internos ingressantes  no mestrado e doutorado têm preferência. Contudo, vagas serão reservadas para externos.

Os pedidos de vagas no curso, tanto para internos quanto externos, devem ser feitos por e-mail (ecmvs@icb.ufmg.br, incluindo cópia para marmello@gmail.com). No e-mail, que serve como carta de intenções, informe o seu nome completo, link estável para o Currículo Lattes, onde estuda, qual nível acadêmico está cursando e por que você acha que o curso pode ser importante para a sua carreira. Prazo para se candidatar a uma vaga: 06/02/17

Dos alunos externos é cobrada uma taxa pela UFMG, que permite cursar esta e qualquer outra disciplina da UFMG no mesmo semestre. Caso você seja selecionado(a), Informe-se junto à secretaria sobre o valor e as condições de pagamento. As instruções de matrícula isolada para os alunos externos à UFMG estão disponíveis no site do programa.

​Conselhos acadêmicos

Além dos materiais aqui recomendados, escrevo um blog com dicas sobre ciência e vida acadêmica, incluindo guias práticos sobre como elaborar projetos, escrever artigos, dar palestras e escolher revistas para submeter artigos, entre outros temas. Há também um livro derivado do blog disponível como ebook.

Material do curso

Peça ao professor o link para a dropbox do curso.

Opinião dos alunos

Ao final do curso, por favor preencha o formulário de satisfação, para que possamos melhorar as próximas edições. Peça o link ao professor.

Programa

As aulas são dadas das 9:00 às 17:00, com pausa das 12:00 às 14:00, em seis dias, na sala I3-236 do ICB/UFMG.

Dia 6/3

  • Apresentação do curso
  • Teórica 1: método científico
  • Teórica 2: lógica
  • Prática 1: perguntas, hipóteses e previsões

Dia 7/3

  • Teórica 3: retórica e falácias
  • Prática 2: dissecção de argumentos

Dia 8/3

  • Teórica 4: filosofia da ecologia
  • Prática 3: dissecção de hipóteses

Dia 9/3

  • Teórica 5: mapas mentais
  • Prática 4: mapas mentais

Dia 10/3

  • Teórica 6: a jornada do cientista
  • Consultório

Dia 13/3

  • Workshop de mapas mentais

Avaliação e relatórios​

Veja em outra página as instruções para os relatórios, assim como os critérios de avaliação do curso.

Leituras prévias obrigatórias

Antes do primeiro dia do curso, todos os alunos devem ler os seguintes textos:

  1. Belovsky, G.E., Botkin, D.B., Crowl, T.A., Cummins, K.W., Franklin, J.F., Hunter, M.L., Joern, A., Lindenmayer, D.B., MacMahon, J.A., Margules, C.R. & Scott, J.M. (2004) Ten suggestions to strengthen the science of ecology. BioScience, 54, 345–351.
  2. Chamberlin, T.C. (1890) The method of multiple working hypotheses. Science, 15, 92–96.
  3. Ghilarov, A.M. (2001) The changing place of theory in 20th century ecology: from universal laws to array of methodologies. Oikos, 92, 357–362.
  4. Lawton, J.H. (1999) Are There General Laws in Ecology? Oikos, 84, 177.
  5. Lipton, P. (2005) Testing Hypotheses: Prediction and Prejudice. Science, 307, 219–221.
  6. Marquet, P.A., Allen, A.P., Brown, J.H., Dunne, J.A., Enquist, B.J., Gillooly, J.F., Gowaty, P.A., Green, J.L., Harte, J., Hubbell, S.P., O’Dwyer, J., Okie, J.G., Ostling, A., Ritchie, M., Storch, D. & West, G.B. (2014) On theory in ecology. BioScience, 64, 701–710.
  7. Platt, J.R. (1964) Strong Inference: Certain systematic methods of scientific thinking may produce much more rapid progress than others. Science (New York, N.Y.), 146, 347–53.
  8. Schimel, D. & Keller, M. (2015) Big questions, big science: meeting the challenges of global ecology. Oecologia, 177, 925–34.
  9. Sutherland, W.J., Freckleton, R.P., Godfray, H.C.J., Beissinger, S.R., Benton, T., Cameron, D.D., Carmel, Y., Coomes, D.A., Coulson, T., Emmerson, M.C., Hails, R.S., Hays, G.C., Hodgson, D.J., Hutchings, M.J., Johnson, D., Jones, J.P.G., Keeling, M.J., Kokko, H., Kunin, W.E., Lambin, X., Lewis, O.T., Malhi, Y., Mieszkowska, N., Milner-Gulland, E.J., Norris, K., Phillimore, A.B., Purves, D.W., Reid, J.M., Reuman, D.C., Thompson, K., Travis, J.M.J., Turnbull, L.A., Wardle, D.A. & Wiegand, T. (2013) Identification of 100 fundamental ecological questions. Journal of Ecology, 101, 58–67.
  10. Thompson, J.N., Reichman, O.J., Morin, P.J., Polis, G.A., Power, M.E., Sterner, R.W., Couch, C.A., Gough, L., Holt, R., Hooper, D.U., Keesing, F., Lovell, C.R., Milne, B.T., Molles, M.C., Roberts, D.W. & Strauss, S.Y. (2001) Frontiers of ecology. BioScience, 51, 15–24.

Bibliografia de base

Estes trabalhos compõem a base teórica do curso:

  1. Almossawi A. 2013. An illustrated book of bad arguments. Edição Online.
  2. Alves R. 2006. Filosofia da ciência – Introdução ao jogo e às suas regras. São Paulo: Edições Loyola. 223 p.
  3. Aristóteles. Retórica. Várias edições.
  4. Case TJ. 1999. An Illustrated Guide to Theoretical Ecology. Oxford University Press.
  5. Chalmers AF. 1999. What is this thing called science? University of Queensland Press, Queensland. 266 p.
  6. Dodds W. 2009. Laws, theories, and patterns in Ecology. University of California Press, Oakland. 256 p.
  7. Feyerabend P. 1993. Against method: Outline of an anarchistic theory of knowledge. New York: Verso.
  8. Ford ED. 2004. Scientific method for ecological research. Cambridge: Cambridge University Press.
  9. Joseph M. 2002. The trivium: the liberal arts of logic, grammar, and rhetoric. Philadelphia: Paul Dry Books.
  10. Keller DR, Golley FB. 2000. The philosophy of ecology: from science to synthesis. London: The University of Georgia Press.
  11. Kuhn TS. 1996. The structure of scientific revolutions. Chicago: The University of Chicago Press.
  12. Lakatos I. 1980. The methodology of scientific research programmes: volume 1: philosophical papers. Cambridge University Press, Cambridge. 260 p.
  13. Mello MAR. 2017. Sobrevivendo na ciência: um pequeno manual para a jornada do cientista. Belo Horizonte: Edição do autor. ISBN: 978-85-921757-1-9. Disponível pela Amazon para Kindle e também em versão impressa.
  14. Popper K. 2002. The logic of scientific discovery. London: Routledge.
  15. Volpato GL. 2013. Ciência: da filosofia à publicação. Botucatu: Best Writing. 245 p.